Canção - Cecília Meireles
Uma homenagem de ReginaCélia a todos aqueles poetas que viveram no passado e aos que ainda cá estão entre nós para criar versos em cor, versos em som, cantando o AMOR, a DOR, a ALEGRIA do coração humano.
Aqueles que serão eternos pois traduziram ou cantam ainda a arte em todas as suas formas.
No desequilíbrio dos mares, as proas giram sozinhas... Numa das naves que afundaram é que certamente tu vinhas. Eu te esperei todos os séculos sem desespero e sem desgosto, e morri de infinitas mortes guardando sempre o mesmo rosto. Quando as ondas te carregaram meu olhos, entre águas e areias, cegaram como os das estátuas, a tudo quanto existe alheias.
Minhas mãos pararam sobre o ar e endureceram junto ao vento, e perderam a cor que tinham e a lembrança do movimento. E o sorriso que eu te levava desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva dentro estas águas sem fim.
- Postado por: Marcia às 09h48
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